sexta-feira, 6 de junho de 2008

Ciclos

Peraê!

Realmente existe uma realidade!

Existe um complexo universo há bilhões de anos que se auto-regula sem início nem fim através de ciclos químicos infindáveis!

Existe a matéria infinita! Infinitas, infinitesimais formas de agregação! Infinitas formas de existir em infinitos tamanhos e escalas!

Nesse universo, existe um planeta além da imaginação onde, em determinado momento, surgiram condições que propiciaram que a matéria se organizasse de maneira a formar sistemas orgânicos que atingiram a vida eterna através de seus intermináveis ciclos. O ciclo de vida é a forma que a vida encontrou para ser eterna.

Cada elemento que existe na terra o faz de todas as formas possíveis em intermináveis, contínuos, inseparáveis, ciclos. E muitos deles passam por nós.

Cada um de nós realiza a eternidade em si.

Cada pedacinho (que contém vários pedacinhos menores) de nós sempre esteve, à sua forma que varia conforme o resto que lhe cerca, por aqui e sempre estará.

Cada um de nós é uma nova versão da vida eterna. É mais um tijolo na eterna estrada – uma cápsula de energia organizada auto-replicante e dotada da consciência de si.

O que fazemos perante a magnitude da Existência? Como existimos?

SOMOS O MEIO.

E de que forma vivenciamos o ciclo em nós? De que forma estamos em harmonia com o Tudo?

Perante a tal grandiosidade, o que fazemos?

Tolamente, destruímos o meio. Esfacelamos a harmonia. Criamos um mundo de calor excessivo compensado por aparelhos.

Tornamo-nos mais distantes para então construirmos aparelhos para encurtar, mediante o tijolo da comunicação capitalista, as distâncias e ilusões que criamos.

Tudo regulado por aparelhos segundo nossas ignorâncias individuais.

Não sabemos lidar com a Natureza, nem mesmo com a nossa natureza – com as nossas emoções. Pagamos a alguém para que nos explique logicamente os caminhos do sentir e os desígnios de nossas almas atormentadas.

Idolatramos artistas e intelectuais que entendam (e nos expliquem) o que sentimos e para que pensem por nós e não sejamos atormentados com a realidade e possamos seguir nossas vidas insignificantes e fora de contexto.

Isolamo-nos. Depreciamo-nos. Separamo-nos do que existe e criamos uma identidade falsa - nos separamos de nós.

Não sabemos quem somos.

Não sabemos o que é ser e estar.

Inventamos o ciclo do eterno consumir e vamos nos consumir até morrer.

5 comentários:

Fábio R. disse...

Viva la revolucion de los ojos, compañero!

Que os olhos se abram para a amplidão do infinito!

Muito bom o texto, velho!

Otalibas disse...

Ola fernando gostaria acima de tudo de ressaltar os pontos que acho de vital importancia sobre o texto redigido.
1 - gostaria de iniciar com uma ressalva e um grato elogio a essa sua muito fortuita dissertaçao sobre "nós" seres humanos ou seriam "eles"?? classifico esse seu escrito como o mais brilhante e mais completo de sua parte literaria (nao-musical)...
ainda com orgulho lhe digo que vejo traços comuns nossos durante todo o desenrolar dos argumentos consigo identificar falas minhas e falas tuas em delongadas conversas que tivemos de enfrentar noites adentro durante estes infimos tres ultimos anos que tivemos o prazer de compartilhar o existir...conjunto e continuo...
2 - A partir de um olhar seco e analitico que tive de me forçar a produzir sobre o seu texto tendo assim que extirpar de minha propria essencia o individuo que teima em abanar afirmativamente todos os paragrafos redigidos cheguei a conclusao de que como possivel deslize na sua argumentacao que seria a generalizacao exarcebada que voce faz de "nos" como raça..
ja que no meio de tantos paradigmas da consciencia e concepcao individual de meio e mundo existem varios de nós que lutam e que se doam em busca de objetivos extremistas e radicais ainda existem aqueles outros que atraves de muito esforço se libertam das suas correntes contrariando o modo de vida que seria cabivel a pessoas de sua classe ou de seu meio pessoas que teimam em discordar e argumentar assuntos ja demolidos pela moral e consciencia plural vigente no atual momento a esses todos e outros mais que se usam das artes e das expressoes para melhorar o seu redor...um grande salve e viva e que possamos nos tambem engrossar tais fileiras do pensar e existir...
salve salve irmao e a nos um brinde para que a vida se perpetue
amén

Fernando disse...

Olá Otalibas, e olá a todos os universos expostos a tal irradiação.

É sempre uma honra tal retro-alimentação e de bom grado recebo tuas assertivas como convidadas de honra indispensáveis à constituição deste espaço virtual de discussão.

Em resposta digo que realmente foi de minha intuição enfatizar o "nós", posto que, por mais que o desejemos e o pensemos, em termos práticos não temos como realmente nos excluir dessa onda de devastação global da qual fazemos parte.

É de fundamental importância, a meu ver, enfatizar que quem faz a cada dia tal destruição é humano, assim como nós, e foi convidado pela Existência para estar aqui tanto como cada um de nós.

Faz-se necessário, portanto, nos identificarmos com os que acham tal destruição louvável para tentarmos abrir as portas da percepção e comunicação, a qual, coitada, me parece tão frustrada.

O entendimento mútuo e amplo e a comunicação além dos conceitos e de qualquer tipo de segregação que inventemos de nos vestir ou pintar, como se fôssemos tão diferentes assim uns dos outros, me parece ser a única possível alternativa perante tal quadro.

Somos tão podres, ridículos, horríveis e absurdamente lindos como qualquer um e a humanidade como um todo pode fazer algo, separados somos apáticos e inoperantes.

Podemos ser diferentes e a humanidade como um todo pode ser diferente do que é, apostando-se nas infinitas possibilidades de se ser alguém e nos infinitos níveis a que a consciência pode chegar.

Afinal, perante tamanha gama de eventos possíveis, é possível escolher-se um digno para constituir o 'eu'.

iml - instituto michelle luna disse...

rainer maria rilke.

iml - instituto michelle luna disse...

no final do texto eu vi o tyler durden em fight club (clube da luta) falando.

a questão não seria a indentificação com o filme, roteiro ou personagem , mas porque a maneira que colocastes as palavras (o discusso, texto) estão quase que exatamente iguais às frases de tyler durden na passagem do filme.